Espelho, Espelho Meu – Resenha do filme e análise do figurino

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O post de hoje foge um pouco das passarelas e tendências, mas é sobre um assunto que eu particularmente adoro: figurinos! <3

Resolvi postar aqui no blog um trabalho da faculdade e espero que vocês gostem. A proposta era escolher um filme baseado em indumentárias até os anos 50 e fazer uma resenha mais focada no figurino da época escolhida. Para ajudar na minha escolha, resolvi juntar dois elementos que eu adoro, contos de fadas e os vestuários do século XIX, e com isso, logo veio a minha cabeça a historia de Branca de Neve. Contudo, escolhi um adaptação atual do clássico e com um pegada bem diferente no enredo, “Espelho, Espelho Meu”.

Resenha

O filme escolhido para a execução do trabalho foi “Espelho, Espelho Meu” (Mirror Mirror, 2012) com a direção de Tarsem Singh, conhecido pelo visual elaborado em suas obras. Nessa adaptação, Singh baseou-se no clássico conto de fadas Branca de Neve, dos Irmãos Grimm, que teve sua primeira versão entre os anos de 1812 e 1822 em um livro com várias outras fábulas, intitulado “Kinder-und Hausmaërchen”, e também, conta com traços da tradição alemã.

O decorrer da história ganhou uma pegada mais moderna e cômica, pois elementos dos dias atuais, como uma espécie de tratamento de SPA da Rainha Má, interpretada por Julia Roberts, estão presentes no filme. Além disso, outro fato interessante é que o lado inocente da Branca de Neve, interpretada por Lily Collins, logo é deixado de lado quando ela resolve sair escondido do castelo pela primeira vez e descobre a real situação que a vila vive.

A partir desse momento, a personagem principal ganha força e muita coragem ao ser “adotada” pelos anões que vivem na floresta roubando com pernas de pau as pessoas que por ali passam. Contudo, a chegada de branca de neve à casa dos 7 anões faz com que eles fossem novamente aceitos pelo povo da vila, pois ela os convence que as pessoas já estão sendo extorquidas pela Rainha e, por isso, precisam dos impostos que eles roubam. Assim, os anões continuam a roubar, mas com a nova proposta de devolver os impostos para a sociedade, que antes eram utilizados para manter os luxos e vaidades da Madrasta da Branca de Neve.

O príncipe Andrew Alcott, que é mais presente na adaptação e vivido pelo ator Armie Hammer, é quem mais sofre nas mãos da Rainha, visto que ela ao recebê-lo, depois de ser saqueado pelos anões, vê a oportunidade de se casar com alguém que além de bonito, resolveria sua questão financeira. Porém, o único problema que a rainha não contava era que o príncipe já estaria apaixonado pela bela Branca, a qual ela pensava que estava morta. Com isso, a Rainha Má precisou consultar seu espelho mágico e utilizar da magia negra para enfeitiçar o monarca fazendo com que ele se apaixonasse por ela.

Espelho, espelho meu - figurino

O final do filme, como de costume nos contos de fada, é baseado no “E viveram felizes para sempre…”, em que tudo se resolve e o bem vence o mal. Neste caso, a princesa consegue libertar o seu amado do feitiço com um beijo e com a ajuda dele e de seus fiéis companheiros, os 7 anões, consegue derrotar a Rainha Má e descobrir que seu pai também estava sob o efeito de feitiço e não morto como contava a Madrasta.

Dessa maneira, em forma de agradecimento, o rei diz que será eternamente grato ao rapaz, mas a única coisa que Andrew pede ao pai de Branca é a mão de sua filha em casamento. Então, a festa acontece no palácio, onde toda a comunidade é convidada e todos conseguem retomar a felicidade que foi tirada enquanto o rei estava enfeitiçado. Assim, Branca se casa com seu amado príncipe em um lindo vestido azul brilhante e sob as bênçãos do rei.

Nesse enredo, podemos visualizar uma certa inversão de papéis, pois não é a princesa que é enfeitiçada pela a vilã, mas sim, o príncipe. Também, é a Branca de Neve que precisa dar o verdadeiro beijo no seu amado para libertá-lo do feitiço. Esse fato é o que torna a historia mais interessante, atual e a difere dos contos clássicos, os quais sempre é o príncipe o responsável por lutar e salvar a donzela.

A estreia do filme foi em 2012, mas o tema é muito presente e pertinente aos debates dos dias de hoje, já que a mulher vem lutando, cada vez mais, pela conquista de igualdade nos direitos e pela quebra de estereótipos impostos pela sociedade que não fazem sentido.

Figurino

Figurino Espelho, espelho meu

O figurino de Eiko Ishioka para o filme é um caso a parte de beleza e luxo, pois a renomada figurinista, com prêmios como Oscar e Grammys em sua estante, se inspirou século XIX, onde a trama inicial de Branca de Neve aconteceu, mas podemos ver elementos do século XVI presentes nos figurinos do elenco. Logo, ela fez um trabalho exuberante na obra e com certeza foi um dos pontos altos da produção.

Vimos, também, que uma das características mais presentes no vestuário das personagens foi a presença de muitos detalhes e de cores vivas. A Rainha Má, por exemplo, sempre exibia muita riqueza e luxo em seus looks, desde os mais “caseiros” até os mais festivos. Já Branca de neve, usou dos looks mais clássicos e românticos, com cores claras e de estampas florais, até os looks mais vibrantes e lisos no final da trama.

Podemos notar vários elementos característicos da idade moderna dando inspiração no figurino feminino. Como, os golpeados, destacando a peça de baixo, as mangas bufastes, o clássico decote reto, as golas rufo e o grande volume nas saias, provocados pelo uso de criolinas ou dos farthingale, falsas e longas mangas, a cintura marcada pelos corsets pontudos e elizabetanos foram umas das principais características do século.

O figurino masculino, também, foi bem fiel à época, pois podemos reparar várias indumentárias do século XIX. A ideia era passar a filosofia do movimento dos dândis, um o cavalheiro perfeito, homem de bom gosto e fantástico senso estético, mas que não necessariamente pertencia à nobreza. Portanto, as peças masculinas eram mais justas, com a cintura e os tornozelos afinados. Ainda, capas e sobretudos compunham os looks dando a ideia de arrogância, devido a presença das golas altas.

Além de tudo, o diretor se preocupou em manter a beleza das personagens fiel ao século em que se passou a trama. As mulheres do século XIX buscavam sempre apresentar uma certa palidez, pois ter um aspecto de bem alimentada e nutrida era considerado vulgar. Com isso, faziam loucuras para conseguirem esse aspecto “não saudável”, como beber litros de vinagre, comer muitos limões e sempre prender as bochechas com os dentes para marca-las. Já o cabelo ideal era comprido, dividido ao meio e preso na parte de trás com alguns cachos caindo na lateral e na frente da cabeça.

Por isso, Branca de Neve era considerada a mulher mais bela do reino, pois apresentava todo esse aspecto de palidez naturalmente no tom de sua pele, que era ressaltado pelo tom muito escuro de seus longos cabelos.

Mesmo com a história do filme não sendo bem recebido pela critica, eu super-recomendo o filme, pois podemos notar a riqueza de detalhes em um figurino maravilhoso e cheio de magia com claras referências.

E depois de assistir, deixe abaixo seus comentários sobre o que achou do filme e do seu figurino, vou adorar saber!

 

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